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Aborto X Adoção

bebe-rezandoDefinindo um Ato de Amor

Por: Marcelo Ferreira

Infelizmente hoje, estamos diante da discussão de dois tabus: O Aborto e a Adoção.

Ambos são passíveis de julgamento, como você, caro leitor deve estar fazendo agora. Não o recrimino. Esta é a nossa natureza. Também já fui assim.

E da mesma maneira aprendi a não julgar aquele que tende a cometer o ato,  pois ele tomou uma decisão. O livre arbítrio sempre será soberano. Da mesma maneira fiz a opção de que, nenhuma criança em risco de ser abortada, que chegue ao meu conhecimento, ficaria de braços cruzados em minha cômoda omissão.

Afinal como alcançar o objetivo de constituir família, quando a natureza coloca seus próprios bloqueios?

Hoje na era da técnica, várias opções foram apresentadas a mim e a minha esposa:  Acompanhamento, inseminação artificial, fertilização in-vitro. Juntamos todas as opções e nenhuma delas era isenta do trauma psicológico e do dano hormonal causado, principalmente à mulher, das várias e várias tentativas. Tudo isso aliado a um custo absurdo.

Mas o optamos pela vida, vida de qualidade, sem  interferência técnologica.

Ao invés de desistir, escolhemos o desafio de restaurar a vida. Se esta não poderia ser gerada por nós, seria restaurada através de nós!

Buscamos casas de acolhimento de menores abandonados e fomos ser voluntários. Acolher aqueles que não foram valorizados e cuidados por suas famílias e que sujeitos à violência, abuso e as mais adversas condições, estavam esquecidos.

Não lhes faltava comida, cama, roupas ou instrução, mas lhes faltava o essencial: Amor, Acolhimento e o sentido de família. Este foi o momento em que nos deparamos com nossos  preconceitos.  Descobrimos que é possível ao ser humano achar as mais absurdas desculpas devido ao medo de se apegar, de se doar. Nos deparamos com o nosso egoísmo! E se já é triste descobrir isso em você, mais difícil é enfrentá-lo de frente e enxergar que você não é tão bom ou tão perfeito como pensava. Mas é assim que toda mudança começa.

Depois de várias semanas, acompanhando aquelas crianças de 0 até 6 anos, brincando, dando banho, trocando fraudas, cuidando as feridas; descobrimos que era assim que se quebrava o egoísmo. Elas nos ajudaram. Elas nos curaram.

Descobrimos que para ser Pai e Mãe adotivo basta ter a disponibilidade de acolher. Acolher o outro,  o diferente,  e descobrir que vc pode amá-lo como ele é.  Independente de sua história, de suas limitações, de seus traumas e, juntos se tornar Um com eles.

Nos finais de semana, alguns passaram em nossa casa, partilhando nosso alimento, nosso carinho, nossa família, nossa pobreza e nossa fartura.  Se tínhamos a idéia de adotar um recém nascido, isto foi mudando com o tempo, mostrando que não há diferença entre as idades e que o amor é cultivado dia a dia.

Daí, em nosso processo, um dia chegou a mim a informação de que uma pessoa iria abortar uma criança, pois não a desejava: Não pensei duas vezes, disse a ela que NÃO! que não transformasse a falta do desejo em Morte, mas em um ato de amor maior: Dar em Adoção!

Acompanhei durante todos aqueles meses aquela gestação. Sempre deixei claro que a qualquer momento ela poderia desistir, pois ela tinha o direito Divino da Maternidade. Chegado o dia a levei até o hospital, Já havia passado o tempo do parto em 1 semana, ele teria de ser induzido e assim foi. Ficamos esperando e o bebê nasceu. Neste momento, agradeci do fundo do coração pois era Pai. Não o pai genético, mas um pai no Amor. Ninguém pode tirar isso de mim. Ele, que poderia estar morto, estava vivo.

No dia seguinte, fui visitá-lo e a sua mãe, e ela me reafirmou o desejo de dá-lo em adoção, mas eu Ví. Ví que ela o amava e que desejava ficar com ele.

Descobrimos então o desejo de Deus para conosco: Dar opção de Vida a aqueles que estão em risco e torná-la uma realidade.

Hoje ele tem 3 anos e está bem. Ainda hoje, sinto que tenho outro filho. O amor a ele não mudou, mesmo não o tendo visto depois daquele  primeiro dia de vida. Rezo por ele todos os dias. Celebro, em meu coração, cada aniversário.

Este blog surgiu desta realidade e eu o convido, estimado leitor a fazer parte dele.