Porque não abortei
Minha menstruação sempre atrasava ou vinha dias antes. Em Junho de
2004 viajei para a praia no feriado de Corpus Christie em 09/06. Achei
que estava com a barriga meio inchada por comer bastante, mas não
sentia absolutamente nada, minha menstruação já estava atrasada 1 mês
e meio e como atrasava sempre, continuei minha vida normalmente.
Moro com meu parceiro e percebi que em Julho minha menstruação também
não veio, pois, costumava vir dia 17. Fiz um teste de farmácia e deu
negativo, pra mim foi um alívio. Bom, chegou o começo de Agosto e eu
não tinha barriga, não sentia nada e já estava com praticamente 3
meses sem saber. Coloquei uma calça cintura baixa num sábado e fui ao
shopping. Quando foi na próxima quarta feira fui colocar a mesma calça
e percebi que estava meio apertada, ou seja, de repente, a barriga
começou a dar um sinal ainda que meio despercebido. Eu não sentia
enjôos, indisposição, nem vontades, ou seja, absolutamente nada. Tinha
em minha consciência que estava grávida, mas algo no fundo dizia que
não, afinal não era a hora. Fiz outro teste de farmácia e nada. Achei
estranho e no final de Agosto fiz um exame de sangue e deu positivo,
daí começava a apertar o bico do peito pra ver se saia aquela
“aguinha” que dizem que quando a mulher engravida, sai uma secreção e
realmente saiu, daí me desesperei totalmente. Só chorava, não dormia e
não comia direito, resolvi fazer exercícios físicos fortes e colocar
aquele aparelho de choquinho no abdômen chamado Eliseebelt, aquele
famoso da época da Feiticeira. Bom, utilizei o aparelho por uns 10
dias em ritmo forte, não senti dores, mas quando tirava, sentia que
algo se mexia dentro de mim. Comecei desesperadamente a buscar na Web
depoimentos, médicos ou soluções abortivas. Vi depoimentos de quem fez
abortos, fotos horríveis, li sobre o Cy…. e Art…., sobre o RU ….
e fiquei ciente de tudo. Entrei em contato com um senhor que vendia
Cytotec e eu já estava com 4 meses. Morri de medo de sentir remorso,
de não dormir e de ver um ser saindo de mim e sendo jogado, mas estava
decidida a fazer a interrupção. Este senhor que tinha o remédio me
garantiu que daria certo mesmo com 4 meses, mas eu já havia me
informado que passado 9 semanas, a hemorragia seria intensa e se eu
chegasse seja em Hospital público ou não e eles descobrissem que havia
vestígios do remédio na vagina, eu podia ser lesada e até presa,
afinal, eu sabia que tinha que tomar 2 e colocar no na vagina pra
fazer efeito, porque somente tomar via oral não daria certo. Mas
pensei: este remédio só dá contrações fortes, se o feto estiver bem
formado, pode não ser expelido e sim ficar com seqüelas graves.
Pesquisei mais na Web e ao entrar neste site sobre Aborto vi que minha
decisão era a forma mais cruel, desumana, incurável, inaceitável e
indiscutível do mundo. Ao ler a carta do bebê à sua mãe no momento do
aborto, do qual ele está falando que a ama e de repente alguém com
coragem o suga de dentro do ventre, me senti um lixo sem paradigma.
Pensei na vida, no quanto eu queria ter um filho, não naquele momento,
mas queria ser mãe um dia e decidi que tudo o que pensei, sofri,
merecia um castigo maior, em dobro e que aquela barriguinha linda que
eu carregava era um fruto do amor, eu já o amava e não queria aceitar,
o que era ridículo. Tinha vergonha de mostrar minha barriga. Meu
parceiro também achava que não era a hora de ter filhos, falei pra ele
do remédio e no início achamos que poderíamos tentar interromper, mas
ele olhou pra mim num momento tão difícil e disse: “Se você tiver
complicações e não puder mais ter filhos, como será nossa vida? Eu
quero ser pai! Não importa a hora, se veio agora é porque Deus nos deu
este presente tão lindo, vamos aceitar!” Daí pra frente, ele começou a
falar pra mãe dele, pra irmã, pros amigos e eu morria de vergonha de
ninguém aceitar, horas que boba era eu! Afinal, quem tinha que aceitar
era eu e mais ninguém! Todos gostaram da notícia, o que meu encorajou
muito mais, comecei a usar batas e sentir orgulho da barriga e resava
toda noite para meu filho estar bem, afinal, era um menino. Fui para
Aparecida do Norte em Outubro, rezei pelos meus pecados, pedi perdão
pelos meus pensamentos. Depois, quando voltei pra casa, ganhei muitos
presentes, resolvi fazer um chá de bebê em Novembro, fizemos
churrasco, ganhei mais presentes e fiquei toda pintada de tinta,
batom, com cabelo duro de gel e dancei até a música da boquinha da
garrafa. Fiquei muito feliz em demonstrar que era mãe, todos me
achavam bonita de barriga e fui ficando cada vez melhor e feliz. Em
Janeiro de 2005 nasceu meu filho, lindo maravilhoso, nasceu uma vida
que veio me fazer feliz, que choro por ter pensado em não tê-lo
comigo, e fico imaginando na dor de uma mãe quando perde seu filho por
várias razões, seja de assassinato, de doença. Penso que não
suportaria perdê-lo e ficar longe dele, pois, ele veio com muito amor.
Lembro no Hospital meu marido assistindo ao parto chorando de
felicidade, e dizendo pra mim: “Olha amor, que lindo, ele é
cabeludinho!” e quando olhei pra ele, ele estava de olhos abertos,
parecia me olhar…. Me recordo da primeira mamada, eu deitada na maca
e a enfermeira com ele embrulhadinho colocando ele juntinho de mim, no
meu peito e ele sugando o leite olhando pra mim…
EU AMO MEU FILHO muito mais do que a mim mesma que cometi tantos
pensamentos ruins. Um filho é vida, é tudo, é uma vida de alegrias
para os pais.
E DEIXO AQUI UM RECADO:
Para as mães que não tem apoio ou condições, tenham este filho! É a
maior alegria do mundo, não existe coisa mais linda! Se o pai for
contra, tenha sozinha! Existem muitos homens irresponsáveis que
abandonam mulheres, que espancam mulheres e que no fundo são uns
covardes, pois, eles não sentem a dor do parto, que acho que é a maior
dor do mundo! E só nós mulheres encaramos tudo com solidez! Deveria
existir neste Brasil uma Lei que colocasse atrás das grades PAIS que
fazem o filho e não assumem, assim como colocam as MULHERES que não
querem ou abortam, afinal de contas, o pai não querendo, é um meio de
interromper a vida do filho! Hoje vejo que meu pensamento sobre Aborto
é diferente. Não abortei, pensei muito, pequei muito. Defendo a
punição pra quem realiza o aborto, afinal é vida que se tira, é
assassinato SIM! Uma pessoa capaz de fazer um aborto pode ser capaz de
matar na esquina… Acham exagero? Não é! É o mesmo pra quem não gosta
de animais e os chuta ou os detestam, ou mesmo matam animais. Estes
tem o poder do pecado e devem rezar muito para pedir perdão.
EU AMO MEU FILHO, AMO A VIDA!
MULHERES MÃES SEJAM FORTES!
AMEM A VIDA!
BEIJOS A TODOS QUE LERAM A MINHA MENSAGEM.
Luana - SP.
Recebida em 17/10/05









